A Diversidade como Ferramenta da Complementaridade

A Diversidade como Ferramenta da Complementaridade
Photo by Clay Banks / Unsplash
A consequência natural de um time construído para ser completo é a diversidade.

Hoje o tema diversidade está em alta. Especialmente no mundo corporativo, nos discursos sobre inclusão, o conceito é sempre presente. Ouve-se constantemente que precisamos ter diversidade nos grupos sociais, nos times e nos setores das empresas.

No entanto, ao refletir sobre essa narrativa, a forma como a diversidade é apresentada parece estar muito ligada a uma ideia de inclusão que soa impositiva.

A Narrativa da "Obrigação"

Muitas vezes, o discurso predominante é o de que "as empresas precisam incluir as pessoas". Embora a intenção seja nobre, essa abordagem parece carregar um viés que não se conecta, de forma clara, com o propósito fundamental de uma organização: a geração de resultados.

Não me entenda mal, empresas são feitas de pessoas e para pessoas, mas em sua essência, elas precisam operar de forma sustentável. Elas precisam dar lucro, precisam entregar o que se propõem. Quando a narrativa da diversidade é imposta sem um propósito de performance atrelado, ela corre o risco de ser vista como uma obrigação que não contribui para o objetivo central do negócio. E é por isso que o conceito de diversidade, da forma como está posto, não me agrada totalmente. Eu prefiro um outro conceito, o de complementaridade.

O Poder da Complementaridade

Vamos pensar na prática… Quando montamos um time, estamos lidando com seres humanos. E todo ser humano é assim, tem fortalezas e fraquezas, ninguém é bom em tudo.

Quando começo a montar uma equipe, como gestor, preciso primeiro olhar para mim mesmo. Quais são as minhas fraquezas? Onde eu não performo bem? Meu primeiro passo é colocar no time pessoas que me complementem; pessoas cujas fortalezas sejam exatamente as minhas fraquezas.

Esse raciocínio se aplica a todos. As pessoas que entram no time também têm suas próprias fraquezas, que precisarão ser complementadas pelas fortalezas de outras. O objetivo é criar um ciclo onde as pessoas se encaixam, se apoiam e se completam, formando um todo.

O resultado dessa estratégia é um time coeso, completo e robusto, pronto para buscar um resultado consistente.

A Diversidade, nesse contexto, acaba sendo uma consequência natural e aqui está o ponto central da minha reflexão… Se eu uso a estratégia da complementaridade de forma genuína, o que acontece naturalmente? Nasce a diversidade.

Se busco ativamente preencher as lacunas do time, eu preciso de pessoas diferentes. Preciso de pessoas com características diferentes, com personalidades diferentes, com formas diferentes de pensar, de agir e de executar tarefas. Se eu contratasse apenas pessoas parecidas comigo, o time estaria fadado a ter as mesmas fraquezas que eu, e jamais seria completo.

Nessa abordagem, a diversidade deixa de ser uma meta impositiva e se torna uma ferramenta, ela vira uma consequência lógica da busca pela complementaridade.

Um Propósito Claro

É por isso que gosto muito mais do termo "complementaridade" do que "diversidade" como ponto de partida. A complementaridade, em si, já carrega um propósito claro… Formar um ser único, um grupo de pessoas que seja mais completo em suas competências e que consiga, de fato, entregar um resultado superior.

Isso é muito diferente do conceito mais tradicional de diversidade que vemos por aí, que muitas vezes parece se resumir a "trazer pessoas diferentes para dentro", sem necessariamente ter um objetivo estratégico de resultado atrelado a isso.

Quando focamos na complementaridade, a inclusão acontece, a diversidade floresce e, o mais importante para o contexto empresarial, o resultado aparece.